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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Felabration com Femi Kuti e irmãos

Texto André Santana 
Fotos Lucas Santana

Nossa última gravação na Nigéria registrou o show de Femi Ransome-Kuti, filho mais velho de Fela Kuti, no encerramento do Felabration 2010 - Viva África, festival realizado anualmente para promoção do afrobeat e cultura africana, baseado no legado deixado por Fela Kuti. O evento foi realizado no New Afrika Shrine, casa de shows já citada neste blog no post "Nigéria, finalmente".

Sem dúvida, foi o momento mais esperado do festival. Com beleza e animação peculiar, as oito dançarinas de Femi subiram ao palco com roupas e pinturas semelhantes às das dançarinas de Fela. Além de dançar e cantar com muita sensualidade, as moças ainda tocam percussão. Pouco antes do encerramento, três filhos de Fela cantaram juntos - Femi e Yeni, do primeiro casamento com Remi Taylor, e Seun, fruto da união de Fela com uma das 27 dancarinas com as quais ele se casou em uma única cerimônia, no ano de 1978. É! Essa é uma história e tanto, merece ser contada em outro post.

Embora carregue grande influência musical de seu pai, Femi não incluiu músicas de Fela no repertório da noite. A proximidade ideológica, entretanto, existe e pode ser percebida nos discursos políticos em prol da integração africana sempre citados durante o show. Para nosso companheiro de expedição, Paulo Rogério, a música de Femi é de composição "mais comercial". Podemos até compará-la, de forma rasteira, a axé music, em Salvador, no sentido de ambas serem um ritmo feito para dançar e animar grandes plateias. E foi realmente o que aconteceu: todo mundo cantou e dançou durante o show. Com canções menos experimentais que os originais acordes do afrobeat criados por Fela, Femi consegue empolgar quem o assiste.

Ao final, Yeni Kuti, coordenador do festival, mandou um recado para o Brasil: "No próximo ano, queremos artistas brasileiros na programação do Felabration". Com certeza será uma honra. Esperamos estar aqui novamente para prestigiar nossos artistas em solo africano.

[Discografia Femi Kuti]
No Cause For Alarm? (1989, Polygram)
M.Y.O.B. (1991, Meodie)
Femi Kuti (1995, Tabu/Motown)
Shoki Shoki (1998, Barclay/Polygram/Fontana MCA)
Fight to Win (2001, Barclay/Polygram/Fontana MCA/Wraase)
"Ala Jalkoum" (on the album Rachid Taha Live) (2001, Mondo Melodia)
Africa Shrine (2004, P-Vine)
Live at the Shrine (Deluxe Edition DVD) + Africa Shrine (Live CD) (2005, Palm Pictures/Umvd)
The Best of Femi Kuti (2004, Umvd/Wraase)
Femi Kuti The Definitive Collection (2007, Wraase Records) 
Grand Theft Auto IV soundtrack (2008, IF99)
Hope for the Hopeless (2008)
Day by Day (2008, Wrasse Records)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Ainda não conhece Fela Kuti?

Então ouça esta música!

África: aí vamos nós!

Por Paulo Rogério
Estamos de malas prontas para a grande viagem rumo ao continente africano. Serão aproximadamente cinco semanas de muita emoção e aprendizado. A equipe conta com um guia especial, o professor Carlos Moore, eminente conhecedor da África,  que para nossa felicidade escolheu a Bahia como residência, estado originário desta expedição.

Lagos: segunda cidade mais populosa da África. Tem crescido de forma explosiva ao longo dos anos. Em 1950, eram cerca de 300 mil habitantes. Segundo a ONU, em 2010, a cidade deve atingir 18 milhões de habitantes, tornando-se uma das dez maiores cidades do mundo.

Nesta quinta-feira, 7 de outubro, uma parte de equipe já segue para Lagos, na Nigéria, via Johanesburgo, com o objetivo de chegarmos a tempo de cobrir o Felabration - festival anual em homenagem a Fela Kuti. Por lá, vamos documentar uma conversa pública de Carlos Moore com Lindsay Barrett, grande escritor jamaicano que mora desde a década de 1970 na Nigéria. Além disso, vamos fazer contato com Wole Soyinka, o primeiro africano a ganhar o prêmio Nobel de literatura - infelizmente ainda não foi traduzido para o português. 

Partimos de Salvador (BA), considerada a segunda maior cidade negra do mundo. São cerca de 14 horas de voo até a  maior cidade negra do planeta, Lagos, na Nigéria. Depois passaremos por Abeokuta e Abuja, ainda na Nigéria, Acra e Cape Coast, em Gana, além de Johanesburgo, na África do Sul.

Estaremos em solo africano até o dia 20 de novembro. Salve este blog nos Favoritos e não deixe de acompanhar nossa trilha pelo berço da humanidade. 

Até mais! Nos vemos na estrada.